Camélis
Voltar ao blog
Psicologia 5 min de leitura

Por que esperamos que o outro adivinhe o que precisamos?

Descubra por que o óbvio precisa ser dito nos relacionamentos. Aprenda a expressar suas necessidades com a Comunicação Não Violenta e evite frustrações.

E

Estagiária Alice Marques · coautor(a)

casal sentado, olhando para o oceano

Você já se frustrou por alguém não agir como você esperava?

Você já se frustrou com alguém por não agir exatamente como você esperava ou precisava naquele momento? Antes de responder, faça a si mesmo uma pergunta ainda mais importante: você expressou claramente a sua necessidade ou o que esperava daquela pessoa? Muitas vezes, uma falha na comunicação pode gerar ressentimentos e sentimentos muito mais dolorosos e difíceis de lidar do que a simples atitude de ser claro desde o início.

Uma situação extremamente comum para alimentar desentendimentos e sentimentos negativos é a falta de clareza ao expressar nossos desejos. Pense num exemplo prático do dia a dia: imagine um relacionamento romântico em que uma das pessoas ama receber flores, mas nunca verbalizou essa paixão. O parceiro, sem saber, nunca presenteia com flores. Com o passar do tempo, essa expectativa não atendida se transforma em ressentimento silencioso, acumulando insatisfações que podem culminar em conflitos maiores.

Para algumas pessoas, parece um absurdo ter que pedir algo que consideram óbvio. Mas será mesmo um absurdo? A verdade é que as pessoas possuem visões de mundo totalmente diferentes, e o significado de uma atitude ou de uma flor para você pode não ser o mesmo para o outro. É por isso que uma das premissas mais valiosas nas relações humanas precisa ser lembrada: o óbvio precisa ser dito. A comunicação clara é o pilar de qualquer relação saudável, sendo indispensável para evitar decepções futuras.

A psicologia da comunicação: Por que esperamos que o outro adivinhe?

Esperar que o outro adivinhe nossas necessidades não é apenas uma dificuldade individual, mas um padrão social aprendido. Fomos condicionados a esperar que as pessoas adivinhem nossos desejos sem precisarmos pedir, como se pedir algo de que necessitamos fosse um erro ou uma demonstração de fraqueza. Se você precisa de descanso, por que não pode pedir? Se precisa de carinho, por que não pode pedir? Se precisa de ajuda, por que guardar isso apenas para si?

Muitas vezes, entramos em um ciclo em que queremos que o outro queira fazer exatamente o que desejamos. Contudo, qual é a verdadeira probabilidade de outra pessoa desejar a mesma coisa, no mesmo momento e da mesma forma que nós? Quando essa coincidência não acontece, a frustração se transforma em raiva. Embora pareça uma dinâmica ilógica, ela acontece com uma frequência surpreendente na vida diária.

Compreender e expressar necessidades é um ponto fundamental da regulação emocional e da Comunicação Não Violenta (CNV), uma habilidade que pode ser aprendida e desenvolvida. Com a CNV, percebemos que expressar o que precisamos com clareza não é a origem dos problemas, mas sim a solução para evitar ruídos e rancores acumulados. Pense nas situações em que suas expectativas não foram alcançadas e em como você reagiu a elas; expressar-se de forma assertiva e eficaz requer métodos que tornam essa troca mais saudável.

“Entre o que eu penso, o que eu quero dizer, o que eu digo e o que você ouve, há dez possibilidades de não nos entendermos.”

— Marshall B. Rosenberg

Como começar a praticar a expressão de necessidades no dia a dia

Para aplicar a comunicação não violenta no cotidiano, é importante começar desenvolvendo a auto-observação. Em primeiro lugar, identifique a necessidade por trás de cada emoção: antes de reagir com raiva ou frustração, pergunte-se o que você está precisando naquele momento exato, seja descanso, acolhimento, escuta ou apoio.

Em seguida, substitua as expectativas silenciosas por pedidos diretos e objetivos. Lembre-se de que as pessoas ao seu redor não têm a capacidade de ler mentes. Procure também separar os fatos das suas interpretações pessoais, focando na situação concreta sem julgar ou criticar a intenção do outro. Por fim, pratique a vulnerabilidade com responsabilidade: expressar o que sentimos exige coragem, mas é a forma mais segura de proteger nossas relações contra mágoas ocultas.

Agende sua consulta e desenvolva sua comunicação

Desenvolver a habilidade de se comunicar de maneira assertiva e expressar suas necessidades com clareza é um processo transformador. A terapia oferece um espaço seguro e acolhedor onde você pode compreender seus sentimentos, reconhecer suas necessidades e elaborar, em conjunto com o profissional, as melhores estratégias para se comunicar com eficácia.

Em nossa clínica, dispomos de profissionais qualificados para acompanhar você nessa jornada e colaborar no desenvolvimento de habilidades fundamentais, como a Comunicação Não Violenta. Entre em contato conosco e agende uma sessão para cuidar das suas relações e do seu bem-estar emocional.

Referências

Rosenberg, Marshall B. Comunicação Não-Violenta. Ágora, 2006. / Beck, Judith S. Terapia Cognitivo-Comportamental. Artmed, 2021.

Este conteúdo fez sentido para você?

Nossa equipe está pronta para acolher a sua história. Agende uma conversa sem compromisso.

Agendar pelo WhatsApp